A comunicação no Transtorno do Espectro Autista de acordo com o DSM-5-TR (o critério A)

As características essenciais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) são o comprometimento persistente na comunicação social recíproca e na interação social (Critério A) e padrões de comportamento, interesses ou atividades restritas e repetitivas (Critério B). Os comportamentos sintomáticos estão presentes desde a primeira infância e limitam ou prejudicam o funcionamento diário (Critério C e D).

O momento em que os comprometimentos funcionais se tornam óbvios, varia de acordo com as características do ambiente do autista. Para profissionais capacitados, as características principais do diagnóstico são evidentes no período de desenvolvimento, mas a intervenção desses comportamentos – seja por familiares, educadores ou terapeutas – durante o desenvolvimento da criança autista, a compensação e os suportes atuais podem mascarar as dificuldades em pelo menos alguns contextos.

Indivíduos sem comprometimento cognitivo ou de linguagem podem ter manifestações mais sutis de déficits comparado a outros autistas com comprometimento intelectual ou de linguagem concomitante. Pessoas autistas em todo o período de desenvolvimento podem estar fazendo grandes esforços para mascarar esses déficits.

Comprometimentos nos comportamentos comunicativos em autistas de acordo com o DSM-5-TR:

  • Manifestação pelo uso ausente, reduzido ou atípico de contato visual, gestos, expressões faciais, orientação corporal ou entonação da fala;
  • Comportamentos atípicos na interação social recíproca, apresentando dificuldades de compartilhar interesses em comum através das expressões gestuais;
  • Linguagem corporal estranha, dura ou exagerada durante interações que envolvem a comunicação não verbal com a fala;
  • Capacidade de manifestar comportamentos típicos de interação social (conforme o primeiro exemplo), entretanto, dificuldades de mantê-los por períodos prolongados ou sob estresse;

Os comprometimentos no desenvolvimento, manutenção e compreensão de interações sociais e relacionamentos devem ser julgados em relação às normas de idade, gênero e cultura. O interesse social ausente, reduzido ou atípico, pode ser manifestado pela rejeição dos outros, a pessoa autista também pode apresentar passividade ou abordagens inadequadas que parecem agressivas.

Autistas podem ter uma aparente preferência por atividades relacionadas aos seus interesses restritos, influenciando no desenvolvimento de amizades unilaterais ou amizades baseadas em interesses específicos compartilhados. Sem o incentivo e o contexto adequado para a interação social é comum o autista voltar-se para atividades solitárias de autorregulação.

O Transtorno do Espectro Autista não exclui do indivíduo a capacidade de suprimir os comportamentos repetitivos e estereotipados em público. Nas pessoas autistas os comportamentos repetitivos, como balançar ou sacudir os dedos, movimentos de pêndulos, e outros comportamentos motores repetitivos podem ter uma função ansiolítica ou auto-calmante.

Interesses especiais podem ser uma fonte de prazer e motivação e fornecer caminhos para educação e profissionalização ao longo da vida.

Os sintomas do transtorno ocorrem em dimensões sem definições específicas de corte, ou seja, não há teste padronizado ou exame que define o diagnóstico, assim o diagnóstico permanece clínico, levando em consideração todas as informações disponíveis, e não é ditado apenas pela pontuação de um determinado questionário ou métricas de observação.

Texto adaptado diretamente do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR) e carrossel de imagens criado livremente por Pedro Anacleto.

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Respostas

  1. Avatar de Eduardo Félix

    Que texto excelente Pedro, o blog tem me ajudado a enteder melhor as características atípicas. Abraços

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  2. Avatar de Critérios diagnósticos para o Transtorno do Espectro Autista conforme o DSM-V-TR – Estudos Atípicos

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  3. Avatar de O autismo não me deixa experienciar a vida como eu gostaria – Estudos Atípicos

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