A frequência de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos Estados Unidos foi reportada como estando entre 1 e 2% da população, com estimativas similares em amostras de crianças e de adultos. Porém, a prevalência parece ser menor entre afro-americanos (1,1%) e crianças latinas (0,8%) se comparada à de crianças brancas (1,3%), mesmo depois de considerados os efeitos dos recursos socioeconômicos.
A prevalência reportada do transtorno do espectro autista pode ser afetada por diagnósticos errôneos ou tardios ou falta de diagnóstico para indivíduo de alguns contextos étnicos raciais.
Em outros países, a prevalência reportada do TEA se aproxima de 1% da população (a média de prevalência global é de 0,62%), sem variação substancial entre regiões geográficas ou etnicidade e entre amostras de crianças e de adultos. Mundialmente, a proporção entre os sexos masculino e feminino em amostras epidemiológicas bem determinadas é de cerca de 3:1, com preocupações relativas à falta de reconhecimento do transtorno do espectro autista em mulheres e meninas.
O Transtorno do Espectro Autista ao longo da vida
Os primeiros sintomas do transtorno do espectro autista frequentemente envolvem atraso no desenvolvimento da linguagem, em geral acompanhado por ausência de interesse social ou interações sociais incomuns (p. ex., puxar as pessoas pela mão sem nenhuma tentativa de olhar par elas), padrões estranhos de brincadeiras (p. ex., carregar brinquedos, mas nunca brincar com eles) e padrões incomuns de comunicação (p. ex., conhecer o alfabeto, mas não responder ao próprio nome).
O transtorno do espectro autista não é um transtorno degenerativo, sendo comum que aprendizagem e compensação continuem ao longo da vida. Os sintomas são frequentemente mais acentuados na primeira infância e nos primeiros anos de vida escolar, com ganhos no desenvolvimento sendo frequentes no fim da infância pelo menos em certas áreas (p. ex., aumento no interesse por interações sociais).
Uma pequena proporção de indivíduos apresenta deterioração comportamental na adolescência, enquanto a maioria dos outros melhora. Antigamente apenas uma minoria entre os indivíduos com TEA vivia e trabalhava de forma independente na idade adulta, mas, atualmente, conforme o diagnóstico de transtorno do espectro autista é feito com mais frequência naqueles com habilidades intelectuais e de linguagem superiores, mais indivíduos estão sendo capazes de encontrar um nicho que combina com seus interesses pessoais e habilidades e, portanto, mais indivíduos estão produtivamente empregados. O acesso a serviços de reabilitação vocacional melhora significativamente os resultados de ocupação competitiva de empregos para jovens em idade de transição com transtorno do espectro autista.
Em geral, indivíduos com níveis de prejuízos menores podem ser mais capazes de funcionar com independência. Mesmo esses indivíduos, no entanto, podem continuar socialmente ingênuos e vulneráveis, com dificuldades de organizar as demandas práticas sem ajuda, mais propensos a ansiedade e depressão. Muitos adultos informam usar estratégias compensatórias e mecanismos de enfrentamento para mascarar as suas dificuldades em público, mas sofrem com o estresse e os esforços para manter uma fachada socialmente aceitável. Sabe-se relativamente pouco sobre o transtorno do espectro autista na terceira idade, mas maiores taxas de condições médicas comórbidas foram documentados na literatura.
O diagnóstico do TEA na fase adulta de acordo com o manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais
Alguns indivíduos aparecem pela primeira vez para o diagnóstico na idade adulta, talvez levados pelo diagnóstico de autismo em alguma criança da família ou pelo rompimento de relações profissionais ou familiares. Pode ser difícil, nesses casos, obter uma história detalhada do desenvolvimento, sendo importante levar em conta as dificuldades autorrelatadas. Quando a observação clínica sugerir que os critérios são preenchidos no presente, pode ser diagnosticado o transtorno do espectro autista, desde que não haja evidências de boas habilidades sociais e de comunicação na infância. Por exemplo, o relato (de pais ou outro familiar) de que a pessoa teve amizades recíprocas comuns e permanentes e boas habilidades de comunicação não verbais durante a infância diminuiria significativamente a probabilidade de um diagnóstico de transtorno do espectro autista; entretanto, informações de desenvolvimento ambíguas ou ausentes por si só não são suficientes para descartar um diagnóstico de transtorno do espectro autista.
Manifestações de prejuízos sociais e de comunicação e comportamentos restritos/repetitivos que definam o transtorno do espectro autista são claras no período de desenvolvimento. Mais tarde na vida, intervenção e compensação, além dos apoios atuais, podem mascarar essas dificuldades pelo menos em alguns contextos. Os sintomas, em geral, permanecem suficientes para causar prejuízo atual no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
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Texto do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5-TR
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